A atividade política dos coronéis, no período da República Velha, caracteriza-se pelo confronto armado, isto é, a disputa pelo poder sócio-econômico e político como forma de revelar ou garantir a supremacia de certos grupos oligárquicos no Estado passa pela luta armada e, não raro, pelo aniquilamento das lideranças. Essa tática política é utilizada, principalmente, contra os coronéis sulistas, que defendem a bandeira divisionista, porém, o aniquilamento do adversário traz em si o germe das próximas crises, uma vez que, a morte ou o banimento do coronel divisionista não faz desaparecer a idéia divisionista, muito pelo contrário, o divisionismo reaparece sempre que há o rompimento de um acordo oligárquico que não atende às reivindicações sulistas.
Portanto, no período da República Velha, em todo o Mato Grosso aparecem coronéis que, de maneira geral, pegam em armas pelo poder. Entretanto, os coronéis guerreiros, aqueles que se identificam com a "peleja política" e a transformam em sua própria razão de ser e base fundamental de seu poder de mando, restringem-se mais ao Sul de Mato Grosso, tendo em vista a influência das migrações, principalmente gaúchas e mineiras, as quais não apenas trazem, mas também divulgam a idéia divisionista.
À primeira vista, essa afirmativa parece um paradoxo, porém as pelejas políticas, nas quais aparecem a defesa do divisionismo, servem para divulgar a idéia divisionista e contribuem para o amadurecimento político não apenas das oligarquias sulinas, mas também de todos os sul-mato-grossenses de diversas origens. Porque todos os moradores do Sul de Mato Grosso participam, direta ou indiretamente, dessas pelejas políticas ou confrontos armados, como combatentes ou financiadores dessas lutas políticas.
Há muita disputa pela posse das terras. Tais disputas ocorrem entre os coronéis e os outros recém-chegados como os gaúchos.
Também há disputa pelo controle político entre as oligarquias de Ponce e Murtinho. Tal disputa é seguida por outra pela exploração dos ervais. Assim, surge o movimento divisionista, na verdade uma fusão de alianças com o intuito de obter o monopólio de exploração dos ervais. De um lado as oligarquias adversárias da Companhia Matte Larangeira, formadas pelas oligarquias sulinas e as oligarquias de Cuiabá adversárias da Matte Larangeira, de outro, as oligarquias que faziam parte da Matte Larangeira.
A defesa da divisão do Estado, a resistência ao controle político-administrativo exercido pelas oligarquias do Norte de Mato Grosso por meio da Companhia Matte-Larangeira colaboram para o fortalecimento político, de alguns coronéis sul-mato-grossenses, durante a República Velha.
A primeira tentativa de se criar um novo estado ocorreu, de forma esdrúxula, em 1892, por iniciativa de alguns revolucionários sob as ordens do coronel Barbosa; anos depois, o líder da Vacaria João Caetano Teixeira Muzzi, inspirado nas idéias divisionistas do advogado gaúcho Barros Cassal (radicado em Nioaque), criava o Partido Autonomista, para propagá-las; Jango Mascarenhas e Bento Xavier também defenderam, a seu modo, a autonomia do sul, principalmente depois de se convencerem de que estavam sendo usados por líderes do norte.
Na República Velha, o governo estadual (poder público) e a Matte-Larangeira (poder privado), através das oligarquias regionais, fizeram alianças, acordos, arranjos políticos para garantir a unidade estadual. O governo estadual esteve sempre atento ao perigo do desmembramento do Estado, perseguindo violentamente tais idéias ou usando do empreguismo como forma de cooptar os descontentes e, até mesmo, de intensa propaganda oficial na imprensa regional.
Divisionismo 2º parte