NAÇÕES
INDÍGENAS
Apesar
de toda dificuldade em sobreviver e resistindo aos avanços da modernidade, seis
nações indígenas de Mato Grosso do Sul ainda mantém seus costumes, tradições
e sua língua nativa. Os Kadiwéu, Guató, Terena, Ofayé, Caiuá e Guarani
somam mais de 60 mil índios no território de Mato Grosso do Sul, colocando o
estado como o segundo mais populoso do país, apesar de a Fundação Nacional de
Saúde reconhecer apenar 45 mil indios aldeados.
Os
indígenas que vivem nas periferias das cidades não são reconhecidos pela
Funasa. Este contingente de mais de 15 mil índios reside em 22 municípios de
norte a sul do Estado, morando e trabalhando em condições precárias, mas
buscando melhores condições para seus filhos. Sem recursos e um programa do
Governo Federal para definir suas terras e programas de incentivo a agricultura
e desenvolver sustentabilidade, a Fundação Nacional do Indio, orgão responsável
pela assistência as comunidades indígenas, assiste a agonia das comunidades e
nada pode fazer para impedir o êxodo de suas terras para os trabalhos nas
destilarias, fazendas e sub-empregos nas cidades. A cada ano a tendência é
piorar.
Muito
diferente das imagens que circulam na mídia nacional e internacional de índios
com cocares coloridos, continuam lutando pela demarcação de suas terras e
lutando por saúde, educação e programas para melhorar o desenvolvimento nas
áreas indígenas. Ao contrário do que muitos imaginam, os índios de mato
Grosso do Sul, vivem da agricultura e da pecuária, integrados ao processo de
desenvolvimento, como parte da sociedade.
A
idéia romântica de silvícola vivendo da caça e da pesca, não existe mais.
As matas deram lugar às plantações de capim para pecuária, extinguindo o
pouco da caça que restava. As reserva legais onde vivem estão cada vez menores
em conseqüência do crescimento populacional.
Guató:
eram índios dóceis. Cultivavam milho, abóbora, batata, algodão e outros gêneros
agrícolas. Além da lavoura, eles viviam da caça, pesca e da fauna pantaneira.
Fabricavam também lindos tecidos coloridos de algodão. Não foram uns obstáculos
para a colonização da Bacia Platina.
Kadiweu: os kadiweu pertencem a última tribo dos Mbayá Guaicuru,
povo seminômade que habitava a região da Bacia do rio Paraguai. Os Kadiweu
encontram-se, hoje, quase totalmente concentrados na reserva doada por Dom Pedro
II ao seu povo pela participação ao lado dos militares na Guerra do Paraguai .
Caiapó:
a partir do rio Pardo, poucos anos depois de iniciadas as monções, os Caiapó
passaram a atacá-las: nos locais de pouso, procuravam desamarrar as canoas
fazendo-as rodar água abaixo, quando não faziam ataque de morte. No varadouro
de Camapuã, atacavam no correr dos transbordos, tornando-se necessário a
vigiar dia e noite para a defesa das cargas, e escorraçavam os roceiros que se
estabeleciam às margens do rio Pardo.
Guaicuru:
ao longo do rio Taquari, ao leste do Paraguai, os guaicuru, índios cavaleiros,
atacavam freqüentemente as monções, mas os viajantes aprenderam que, ganhando
alguma mata ou águas profundas, facilmente se livrariam deles.
Paiaguá:
a partir de 1725, os Paiaguá, índios canoeiros, passaram a perseguir com
sucesso as grandes monções, principalmente as que desciam com ouro. Como
canoeiros lutando sobre a água, venciam sempre porque suas canoas eram pequenas
e facilmente manobradas na abordagem aos pesados canhões dos monçoeiros.
Terena:
por
serem agricultores e de índole pacífica, os índios Terena, quase sempre foram
submetidos por outras nações mais guerreiras em uma tática de sobrevivência.
Eles foram dominados pelos Guaicuru, em troca de produção de alimento,
recebendo proteção contra outras tribos. Tinham uma submissão amistosa.
Atualmente as comunidades estão concentradas na região noroeste de Mato Grosso
do Sul. Pertencem ao tronco linguístico Aruak.
Foram
os últimos a entrar na Guerra do Paraguai e pode ser este o motivo de não
serem totalmente dizimados como outros povos. No pós-guerra voltaram a
instalar-se nos antigos locais e entraram em competição com os criadores de
gado, que naquele período começavam a adentrar a região. Foi então que
passaram a ser mão-de-obra dos senhores brasileiros que foram favorecidos com
territórios ocupados.Tiveram suas áreas invadidas e acabaram sendo despejados,
sendo dispersos pelas fazendas do Mato Grosso do Sul.
No
início do século XX, eles foram utilizados pelo marechal Rondon para a construção
da linha telegráfica, do extremo Oeste do país até a Amazônia Ocidental. Foi
o início do reagrupamento da comunidade em pequenas reservas demarcadas pelo próprio
Rondon.
Os indígenas também participaram da construção da estrada de Ferro Noroeste
do Brasil e da fundação de diversas cidades ao longo da via férrea, nos serviços
mais pesados. Terminadas as obras os indígenas voltaram para a as reservas.
Atualmente
possuem pequenas porções de terras insuficientes ao seu crescimento
populacional. Com isso os homens são obrigados a sair para o trabalho pesado
nas usinas de álcool, fazendas ou nas cidades com mão de obras barata e não
especializada. As mulheres ficam em casa com as crianças, mas muitas saem para
vender frutas e verduras ou trabalhar como empregadas domésticas.
O
idioma terena ainda é falado na maioria das aldeias, apesar da grande convivência
com o meio urbano nas cidades de Aquidauana e Miranda. O povo Terena está
tentando resgatar sua cultura e, algumas comunidades mantêm suas tradições
como a Dança do Bate Pau e a produção de cerâmica e tecelagem.
Mesmo
com uma pequena área, sobressaem-se na agricultura, cultivando arroz, feijão,
mandioca e milho, que são à base de sua alimentação. Plantam ainda o feijão
de corda e o maxixe. O excedente de sua produção é levado paras as cidades,
onde é comercializado.
Ofayé
Xavante
: Donos de um território que ia do rio Sucuriú até as nascentes dos rios
Vacarias e Ivinhema, com uma população estimada em mais de cinco mil índios,
a nação dos Ofaié Xavante se resume hoje a pouco mais de meia centena de
pessoas, em uma reserva no município de Brasilândia. A história desse povo
está relacionada à violência, perseguição e ao extermínio, chegando a
serem dados como extintos por antropólogos e historiadores.
Desde
os primeiros contatos com a civilização, os Ofaié resistem à interferência
em suas terras e cultura, procuram lugares cada vez mais isolados. Os primeiros
foram registrados nas abundantes florestas das margens do Rio Paraná no início
do século XVII. Foi quando teve inicio o verdadeiro pesadelo que quase os levou
ao extermínio. Além de serem perseguidos por outros povos indígenas que
habitavam a região por causa de sua passividade, tinham no seu encalço os caçadores
de escravos.
Eles
eram procurados pelos paulistas por serem excelentes serviçais e substituir os
índios rebeldes. Com a descoberta do ouro no Estado e o povoamento de suas
terras com fazendas de criação de gado, os Ofaié viveram perambulando pelos
lugares mais remotos, até conseguirem se reagrupar nas margens do rio Paraná.
De
estrutura franzina e arredios a qualquer contato com outros povos, os Ofaié
viviam em pequenos grupos, sempre em constante mudança, fugindo dos índios
Kaiapó e Guarani, buscando as florestas para escapar de seus captores. Eles
viviam exclusivamente da caça, pesca, coleta de frutas e mel.
Instalados
em precárias moradias que ocupavam por breves períodos, mantinham pequenas
aldeias com o máximo de 20 famílias. Suas habitações eram distribuídas de
forma circular, tendo um espaço na área central onde realizavam suas festas.
O
cacique, líder da comunidade, tinha algumas regalias, como a de possuir a
melhor localização habitacional, além de objetos pessoais adornados com penas
de pássaros e dentes de animais selvagens. Os cargos eram transmitidos
hereditariamente, podendo haver substituição caso não houvesse interesse do
titular.
O feiticeiro,
ou pajé era o conselheiro espiritual da comunidade, cabia a ele, dar os nomes
aos recém-nascidos, que eram de pássaros que não podiam ser abatidos por quem
tinha o nome.
O
núcleo familiar do Ofaié é de grande importância. Depois do casamento, o
marido geralmente leva a esposa para morar em uma cabana próxima à moradia de
seus pais ou muitas vezes morando com eles.
Guarani
: Senhores dos ervais da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e com
uma área superior a dois milhões de hectares, a nação Guarani, do tronco
Tupi, ainda resiste as investida do homem branco e luta pela retomada de parte
de seu território. Nômade e coletores que tiravam da natureza somente o necessário
para a sobrevivência, eles tiveram seu território reduzido drasticamente. A
população ficou dividida em 22 pequenas áreas em 16 municípios no sul do
estado.
Desde
a entrada dos exploradores espanhóis em 1516 na Bacia Platina, os Guarani começaram
a ser perseguidos e os que resistiam eram exterminados. No ano de 1600, o
governador de Assunção no Paraguai informou ao Rei da Espanha que era impossível
dominar os índios e que deveriam ser submetidos aos ensinamentos evangélicos.
Surgiram
as reduções jesuíticas que pagavam imposto a coroa, e que na verdade eram
grandes “colônias de escravos”, onde os índios eram obrigados a trabalhar
na extração da erva mate e na agricultura. Essas missões, apesar do caráter
religioso com que se revestiam, funcionavam na realidade, como empresas econômicas,
comercializando no mercado externo os bens produzidos pelos indígenas. As crenças
e hábitos dos índios eram ridicularizados pelos religiosos, que os obrigavam a
se vestir e trabalhar segundo as regras rigidamente estabelecidas e que nada
tinham a ver com o modelo de vida indígena.
Os
bandeirantes portugueses destruíram mais de 30 reduções e o que restou foi
extinta com o banimento de seus membros.Os guarani partiram em deserção para o
Oeste e se estabeleceram numa área entre a Serra de Maracaju e a
margem direita do rio Paraná. Por um breve período tiveram paz.
Depois
da Guerra Brasil Paraguai, o comendador Tomáz Laranjeira descobriu que toda área
Sul de Mato Grosso tinha na erva mate sua exuberância vegetal nativa e
estabeleceu fazenda em Dourados e Amambaí. A exploração do mate trouxe o prenúncio
do fim do mundo Guarani. Os índios foram expulsos de suas terras e eram mão-de-obra
escrava, trabalhando por ferramentas, tecidos e sal. No século XIX, a Cia Mate
Laranjeira, ocupou quase toda a área tradicional Guarani.
Caiuá
:Eles vivem na região sul do Estado e no passado eram milhares ocupando 40% do
território que compreende Mato Grosso do Sul. Pertencem ao tronco lingüístico
Tupi e é um dos únicos grupos indígenas que tem noção de seu território.Durante
a exploração da erva mate, as comunidades ficaram em pequenas reservas, e até
hoje seus territórios sagrados continuam a ser invadidas por fazendeiros e
agricultores. Em sua cultura, acreditam que foram os primeiros a serem criados
por Deus, vindo depois os Guarani, outros grupos indígenas e os brancos.
Desde
a chegada dos colonizadores, os Caiuá sempre foram confundidos com os Guarani,
por terem como base o mesmo idioma, apesar de suas culturas e aspectos físicos
serem diferentes e considerados únicos. Dentre seus costume está o preparo da
chicha, bebida de milho cozido e fermentado, usado na alimentação, rituais e
festas.
O
Caiuá tem uma estatura mais alta e sempre viveu da caça e da pesca, plantando
somente o necessário para o sustento da família. Sua alimentação baseia-se,
no milho, considerado alimento sagrado, a mandioca e, atualmente, o arroz. Eles
se denominam Kaáguygua. Os Guarani tem estatura mais baixa com hábitos
alimentares baseados em frutas e mel, além da caça e da pesca.
As
duas nações também realizam o Aty Guasu, que é uma reunião com os 28
caciques das áreas indígenas da região sul do estado. Essas assembléias
servem para decidir os trabalhos que serão realizados nas aldeias Guarani e
Caiuá.
Uma
das manifestações culturais mantidas até os dias atuais é o Jerokiguasu ou a
grande reza. Essa maneira diferente de louvar seu deus confundia os europeus,
que acreditavam que os indígenas estavam apenas dançando.
Ela é realizada durante um período em que ocorre o nascimento de muitas
crianças que são batizadas com seus nomes na língua nativa. O Nhanderu, ou
pajé, reza durante três dias, ingerindo cauim e água de cedro. No quarto dia,
o Cheru Hyapu Guasua manda para o céu o nome das crianças que nasceram nos últimos
meses.
O controle de natalidade é feito com ervas medicinais e os partos são
realizados na aldeia e quase sempre sozinhas. Não há crianças abandonadas. Na
falta dos pais, são sempre adotadas por uma família.
Carlos Roberto Cerqueira
CAMPO GRANDE-MS DATAS DO MATO GROSSO DOS SUL CIDADES HISTÓRICAS
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NAÇÕES INDÍGENAS DO MATO GROSSO DO SUL
SANTO ANTÔNIO PADROEIRO DE CAMPO GRANDE