A formação do Estado Brasileiro a partir da Guerra da Tríplice Aliança
INTRODUÇÃO
Guerra da Tríplice Aliança e a formação do Estado Brasileiro. Este trabalho tem o objetivo de analisar criticamente e de forma sucinta o nosso processo de formação do Estado Brasileiro, em uma visão sócio-políticos e econômica, resgatando o nosso passado colonial; as influências das idéias liberais na colônia; os fatores que precipitaram o rompimento com a coroa portuguesa; a participação da elite nacional no processo de rompimento com Portugal; as permanências estruturais após a emancipação e a consolidação do Estado Nacional brasileiro, que se manteve na posição de periferia do capitalismo mundial. Ao comemorarmos o feriado de 7 de setembro, na maioria das vezes, debruçamo-nos sobre questionamentos acerca do verdadeiro sentido da nossa independência e o que ela significou como desfecho de um processo que tem suas origens não somente no heróico patriotismo de um povo, mas atendeu a interesses sócio-políticos e econômicos decorrentes da ascensão da burguesia industrial na Europa e do surgimento das idéias liberais, no século XVIII . Em linhas gerais, essa ruptura, analisada sucintamente os seus aspectos mais contundentes e contraditórios de pontos específicos como a guerra do Paraguai pois, como todo processo histórico, o de nossa independência está recheado de contradições.
Com a abdicação de seu pai, Pedro II (1825 - 1891) era responsável pelo governo do Brasil. Mas aos cinco anos de idade, não podia exercer o poder. Durante dez anos uma série de regências se seguiu até que, em 1840, com a antecipação de sua maioridade, D. Pedro II foi aclamado segundo imperador do Brasil. Herdeiro da coroa pela dinastia da Casa de Bragança, assumiu o trono em 1840, antes mesmo de completar a maioridade exigida pela Constituição. O reinado de D. Pedro II, denominado de II. Reinado, foi marcado por transformações de ordem social e econômica, decisivas para a história do país, tais como a guerra do Paraguai e a Abolição da escravidão. No governo de Pedro II., prevaleceu o jogo de conciliação política, na tentativa freqüente de manter o poder e a ordem frente à crise social, agravada a partir de meados do século XIX, quando passou a enfrentar o descontentamento de grupos sociais oposicionistas que pregavam a derrocada da monarquia. No âmbito da cultura, o imperador era visto como um homem das letras e das artes, protegendo vários escritores e artistas. Em 1842, D. Pedro II. dissolveu a Câmara dos Deputados, e teve como resposta revoltas liberais em Minas e São Paulo. Eram mais duas que se somavam à Balaiada e à Farroupilha. Tomou medidas como anistia aos revoltosos e envio de tropas que aos poucos foram sufocando esses movimentos. Em 1847, instalou a Presidência do Conselho de Ministros que começou a configurar o parlamentarismo no Brasil. Em 1848, estourou a Revolução Praieira derrotada dois anos depois na luta contra as tropas do governo. Se instalava um período de tranqüilidade política no Brasil. Era o apogeu do império. Os conflitos na região do Prata que desencadearam a Guerra do Paraguai no fim de 1864 quebraram essa tranqüilidade. A guerra que durou até 1870 desgastou o país, desejava tornar o Brasil uma nação representativa, internacionalmente, no cenário político e cultural. Durante o século XIX, o Brasil teve relações conflituosas com os países vizinhos, em especial com aqueles da área platina. A única monarquia sul americana era vista com desconfiança pela Argentina, Paraguai e Uruguai, repúblicas formadas após o desmembramento do antigo Vice-reino do Prata. O confronto de interesses, herança do colonialismo espanhol e português na região, girava em torno do controle na navegação da bacia do Prata. O Uruguai tornou-se independente do Brasil, em 1828, após uma guerra de três anos entre o Império e a Argentina. A Inglaterra, em função dos seus interesses econômicos na região, garantiu a criação do Uruguai, pois permitiria a livre navegação no estuário platino. O Império brasileiro exercia uma, forte influência econômica no país, através do Banco Mauá, assim como lutava para a preservação da liberdade de acesso, através dos rios, à província do Mato Grosso. Ainda havia as questões dos charqueadores gaúchos que sofriam a concorrência do produto platino. A ascensão de Juan Rosas ao poder na Argentina, em 1835, e suas ações para consolidar a hegemonia de Buenos Aires sobre as demais províncias, desencadeou reações por parte do Brasil, da Inglaterra e da França. O governo imperial apoiava as forças contrárias a Rosas e também os grupos políticos uruguaios, receosos de um expansionismo argentino. Após um longo período de tensão e conflitos fronteiriços envolvendo brasileiros, argentinos e uruguaios, o Império estabeleceu aliança com os colorados uruguaios e opositores de Rosas das províncias argentinas de Corrientes e Entre-Rios. Era a forma de derrubar o governo Rosas que poderia dificultar a navegação no Prata caso incorporasse o Uruguai, além de prejudicar os interesses de Mauá e dos seus sócios ingleses. Na retaguarda brasileira estava a Inglaterra. Em 1851, as tropas aliadas garantiram a ascensão do Colorado Urquiza ao governo uruguaio. No ano seguinte, forças brasileiras e uruguaias, armadas pela Inglaterra, derrotaram Rosas, afastando do Prata, pelo menos temporariamente, os grupos contrários ao governo imperial brasileiro.
Com o desmantelamento do antigo Vice-Reino do Rio da Prata, o Paraguai tornou-se independente, em 1811. No entanto, as elites de Buenos Aires não reconheceram a independência, bloqueando o comércio exterior paraguaio através da bacia do Prata, única via de acesso do Paraguai ao mar, através dos rios Paraguai e Paraná. Iniciou-se um processo de isolamento do Paraguai com a ditadura de José Gaspar de Francia (1813 - 1840). Ele expropriou terras do clero e de seus opositores, entregando-as através de arrendamento aos camponeses, e incentivou o nacionalismo entre os setores humildes da população. Erradicou o analfabetismo do Paraguai, estabelecendo a gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário. Após a morte de Francia, ascendeu ao poder Carlos Antônio Lopez (1840 - 1862) dando continuidade ao processo de fortalecimento econômico do país, iniciado por seu antecessor. Lopez estabeleceu relações com o Brasil para fazer frente às ameaças de ingerência da Argentina, então governada por Rosas, ao seu país. Ele retirou o Paraguai do isolamento enviando missões à Europa, uma delas com a participação de seu filho Francisco Solano Lopez, para a obtenção do reconhecimento internacional. Atraiu técnico estrangeiro para os projetos de modernização do país. Instalou ferrovias, construiu estaleiros, fundição de ferro, indústrias bélicas, metalúrgicas, têxteis e de calçados, inaugurou o sistema telegráfico e ampliou a Marinha. Francisco Solano Lopez assumiu o governo do Paraguai, em 1862, no auge do crescimento econômico e social. As exportações paraguaias superavam as importações em virtude de uma forte política protecionista. No entanto, havia uma enorme dependência de sua economia aos portos de Buenos Aires e Montevidéu, os quais cobravam altas taxas dos produtos paraguaios. Assim, a saída para o mar tornava-se imprescindível para a continuidade do processo de modernização do Paraguai. A Guerra do Paraguai foi um dos conflitos mais sangrentos envolvendo países da América do Sul. Teve uma duração de mais de cinco anos (novembro de 1864 até março de 1870) com a participação de Brasil, Argentina e Uruguai, que formaram a Tríplice Aliança, contra o Paraguai, governado por Francisco Solano Lopez. Diversas causas são apresentadas para justificar o início do conflito. No entanto, deve-se destacar os interesses na livre navegação da bacia platina e do capital inglês na região. Também existiam divergências fronteiriças entre o Império e o governo paraguaio. Coube ao Segundo Reinado a pior fase das relações diplomáticas do Brasil com as nações platinas. Mais do que contra a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, foram contra os governos de Juan Manuel de Rosas, Atanásio Cruz Aguirre e Francisco Solano López, as campanhas mili-tares que teve de empreender. As duas primeiras foram, aliás, solicitadas e mesmo iniciadas por elementos políticos dos dois países, a terceira mantida em resposta a uma insólita agressão. Nos três casos não pleiteou o Império qualquer vantagem territorial pela sua participação nos custosos conflitos. A segura orientação que o governo de D. Pedro II pôde seguir nas diferente questão platina foi devida, em grande parte, à lealdade de suas atitudes. O Imperador, o Conselho de Estado, os chefes de Missões Extraordinárias, que foram, quase todos, Ministros de Estrangeiros (o Visconde de Sinimbu, os Marqueses de Abrantes e Paraná, os Viscondes de Abaeté e Uruguai, o Marquês de São Vicente, o Visconde do Rio Branco, os Conselheiros José Antônio Saraiva e Francisco Otaviano de Almeida Rosa, o Barão de Cotegipe), bem como os diplomatas de carreira envolvidos nos acontecimentos e negociações - todos esses agentes da soberania brasileira souberam mantê-la devidamente, por mais difíceis que se lhes tivessem apresentado as circunstâncias. As divergências partidárias registradas na vida política do Império também não influíam na direção dos negócios externos, assunto em que eram sempre solidários conservadores e liberais, coordenados pelo Imperador e pelo Conselho de Estado. Para a boa solução dessas questões, contou o Império com um corpo diplomático constantemente aprimorado, inclusive por uma reforma devida ao segundo Ministério do Marquês de Paraná. Apesar da singularidade da posição do Brasil no continente como única monarquia, repetidas vezes manifestou o Império o seu apoio às tentativas de ação conjugada dos países da América, manifestando-lhes sua solidariedade em ocasiões oportunas, como, por exemplo, protestando quando do bombardeio espanhol do porto chileno de Valparaíso. Como demonstração do prestígio então alcançado pelo Brasil, basta lembrar que várias vezes foi o Imperador D. Pedro II, por intermédio de seus Ministros Plenipotenciários, escolhido árbitro em relevantes questões internacionais. Como maiores provas do mérito de um corpo diplomático que con-tava, sob a fiscalização direta do monarca, com elementos da importância dos já citados, a eles ainda podemos ajuntar os nomes dos Vis-condes de Almeida, Arinos, 2º. de Barbacena, 2º. de Cabo Frio, Itajubá, Ourém, Porto Seguro (o historiador Varnhagen), Santo Amaro, Rio Grande e São Salvador dos Campos; dos Barões de Alencar, Aguiar de Andrada, Alhandra, 2º. de Cairu, Carvalho Borges 2º. de Itajubá, Itamaracá, Jaceguai, Japurá Javari, Penedo, Ponte Ribeiro, Santo Ân-gelo e, afinal, do Rio Branco, título que não completa apenas uma lista, mas, sem dúvida, toda uma tradição de servidores do Brasil em suas relações.
As questões platinas, em que, pela quarta vez no século XIX, esteve envolvido o Brasil, tiveram origem na especial situação apresentada pela Argentina e Uruguai, no primeiro decênio do governo pessoal de D. Pedro II. Enquanto à margem direita do Rio da Prata ia-se fir-mando o poderio de Rosas, à margem esquerda sucediam-se as agitações ligadas às mudanças de Presidentes. Os processos de repressão postos em prática por aquele ditador faziam com que seus adversários emi-grassem em massa para o Estado Oriental, preparando futuros dissídios. Assim, em uma população total que não ia além de 75.000 habitantes, dos quais talvez um terço de lusos-descendentes, houve uma afluência de 14.000 exilados portenhos. Dessa variedade demográfica, aliada a diferentes atitudes políticas, resultaram muitas complicações. Na própria Argentina, onde os processos de governo eram dos mais violentos, chegaram a França e Inglaterra a intervir, tendo em vista evitar a continuação de suas lutas.
Diante dessa situação, cumpria ao Brasil garantir, simultaneamente, a independência do Uruguai, de acordo com a Convenção Preliminar de Paz, de 1828, e a liberdade de navegação dos rios platinos, impres-cindível ao acesso da Província de Mato Grosso. Uma e outra se encontrava positivamente ameaçadas pelo governo de Rosas, que, além de sustentar pelas armas a pretensão de Oribe, de voltar ao poder que havia abandonado, protestou contra o reconhecimento, pelo Brasil, da existência soberana do Paraguai.
A Guerra entre a Argentina e o Uruguai, que as mencionadas potências européias não conseguiram impedir, interessava, portanto, e profundamente, ao nosso país. Sucessivas discussões diplomáticas, provocadas pelo representante de Rosas no Rio de Janeiro, General Tomás Guido, a propósito da situação uruguaia, levaram o seu país ao rompimento de relações com o Império.
A repercussão desses acontecimentos era particularmente intensa no Rio Grande do Sul, cuja fronteira os partidários de Oribe não duvidavam invadir, preando gado e assaltando estâncias, de modo a provocar as represálias organizadas por Francisco Pedro de Abreu, Barão de Jacul, as chamadas "califórnias", que nem mesmo o Tenente-Co-ronel Manuel Luís Osório, Comandante do 2 Regimento de Cavalaria, conseguiu evitar.
Resolvido o governo imperial a pôr termo a essa situação, entrou em negociações com o de Montevidéu e o General Justo José de Urquiza, Governador de Entre-Rios, então rebelado contra Rosas, tendo em vista obter inicialmente, a derrota de Oribe. Com o apoio, também, da Província Argentina de Corrientes, assinou naquela capital, a 29 de maio de 1851, uma Convenção, em conseqüência da qual entraram no Uruguai as forças brasileiras comandadas pelo Marechal-de-Campo Conde de Caxias, Presidente e Comandante das Armas do Rio Grande do Sul. Fugindo à luta, preferiu Oribe entregar-se a Urquiza, o que encerrou a primeira parte da campanha. Tendo Rosas declarado guerra também ao Brasil, novo Convênio foi celebrado entre aquelas partes, a 21 de novembro do mesmo ano, visando levar à Argentina a ação da referida aliança. Retomadas as operações militares, com a Passagem de Tonelero, no Rio Paraná, efetuada por uma Divisão Naval brasileira, e a Batalha de Caseros, vencida pelos aliados, a 3 de fevereiro de 1852, foi derrubada a ditadura de Rosas, organizando-se um governo chefiado por Urquiza, que reatou relações com o Brasil. Em 1856, um Tratado de Amizade, Comércio e Navegação regularam, em sólidas bases, esses importantes assuntos do Brasil e Argentina. A situação política do Uruguai não se tornou mais tranqüila depois da derrota de Oribe. Freqüentes agitações determinaram a necessidade de novos auxílios brasileiros, que, entretanto não conseguiram restabelecer a normalidade. Estava no governo o partido blanco quando outras incursões passaram a ser feitas em território do Rio Grande do Sul, sofrendo assaltos as estâncias brasileiras situadas de um e outro lado da fronteira. Recla-mando o Império contra sucessivos incidentes, sem que obtivesse quais-quer respostas satisfatórias, foi mandado a Montevidéu, em Missão Especial, em 1864, o Conselheiro José Antônio Saraiva. Apesar de sua boa vontade e esforços para conseguir uma solução pacífica, não alcançou bom êxito, visto que o Presidente do Uruguai, Atanásio Cruz Aguirre, contava com uma intervenção do Paraguai a seu favor, e, assim, nada quis ceder, nem mesmo ratificando condições antes aceitas. Consequentemente, registrou-se o rompimento de relações com o Império e a invasão do território uruguaio por forças brasileiras, que, juntamente com a esquadra, prestaram auxílio ao chefe do partido colo-rado, Venâncio Flores, então em luta contra os blancos. Não tardou que vencessem, investindo-se do poder o referido político, que deu ao Brasil as satisfações exigidas, restabelecendo-se as interrompidas relações. Quando terminou a questão com o Uruguai, já se encontrava o Império em luta contra o governo do ditador paraguaio Francisco Solano López. As hostilidades entre os dois países começaram em 14 de novembro de 1864. Sob o pretexto de que o Brasil, ao invadir Montevidéu, rompeu o tratado que reconhecia a independência do Uruguai, Solano Lopez apresou no rio Paraguai o navio Marquês de Olinda, que conduzia o coronel Carneiro de Campos, recém-nomeado presidente da província de Mato Grosso. Em dezembro, as tropas paraguaias invadiram o Mato Grosso, ocupando Corumbá, e no início de 1865, penetraram na província Argentina de Corrientes, para alcançar o Rio Grande do Sul e o Uruguai. A guerra do Paraguai ocasionou várias conseqüências. O Paraguai foi arrasado, perdendo parte de seu território para o Brasil e Argentina. A maioria dos sobreviventes era constituída de velhos, mulher e crianças. A Argentina consolidou sua unidade territorial. O Brasil perdeu boa parte de suas reservas acumuladas com a exportação. O exército, até então desprestigiado, afirmou-se como instituição. Parte de seu contingente era formada por antigos escravos que se tornaram livres após o conflito, aumentando o sentimento antiescravista.
Terminada a Guerra do Paraguai, foi chamado ao governo, para tratar do problema relativo á gradual libertação dos escravos, o conselheiro Pimenta Bueno, já Visconde de São Vicente. Não conseguindo, porém, vencer a oposição parlamentar, contrária aos seus projetos, foi substituído na Presidência do Conselho de Ministros, em 1871, pelo Visconde do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos.
O novo chefe de Gabinete, um dos mais notáveis estadistas do Impé-rio, depois de difícil luta parlamentar conseguiu ver aprovado o projeto que se transformou na Lei de 28 de setembro de 1871, geralmente conhecida como Lei do Ventre Livre. De acordo com as suas determi-nações, não nasceriam mais escravos no Brasil, o que importava na abolição gradual da escravatura. Cuidou a lei da criação e tratamento dos filhos menores das escravas e declarou libertos os chamados "escra-vos da Nação", pertencentes ao Estado. Também foi criado um fundo especial, destinado à emancipação dos escravos.
Por ocasião da discussão, votação e assinatura da importante medida, achava-se no exercício da Regência do Império a Princesa D. Isabel, herdeira do Trono, por encontrasse D. Pedro II no estrangeiro. Em todas as fases da campanha emancipacionista, contavam os seus defensores com a solidariedade da Princesa Imperial. Durante a campanha do Paraguai mantiveram os militares brasileiros prolongados contato com países platinos, cujo regime político era nominalmente republicano, embora quase sempre dominado pelos mais di-versos caudilhismos, com exceção da Argentina. Depois da guerra, voltando à vida civil os milhares de Voluntários da Pátria e Guardas Nacionais para ela convocados tornaram-se naturalmente mais reduzidos os quadros do Exército imperial e, consequentemente, mais demoradas as promoções dos respectivos oficiais. Simultaneamente, tornou-se mais teórica a preparação destes na nova Escola Militar, eventualmente submetida à influência da doutrina posi-tivista, preconizadora do advento de uma ditadura republicana como forma ideal de governo. Nesse ambiente predisposto às insatisfações surgiram, no último decênio do Segundo Reinado, as chamadas questões militares, que, exploradas pelos republicanos existentes no país, muito contribuíram para a posterior proclamação do novo sistema político.
Apesar da ampla liberdade de opinião vigente no Segundo Reinado, até 1870 jamais se havia cogitado, no país, da criação de um Partido Republicano. Diminuta era a repercussão alcançada, por exemplo, pela pregação do agitador Antônio Borges da Fonseca, que entre 1830 e 1855 manteve cinco pequenos jornais intitulados O Republico. Somente no ano da terminação da Guerra do Paraguai alguns liberais, dissidentes da agremiação a que pertenciam, aliados a alguns jovens que ainda não haviam participado de atividades políticas, assinaram, a três de dezembro de 1870, um Manifesto republicano, fundando um Clube e um jornal com essa tendência política. Entre os signatários, incluía-se Saldanha Marinho, ex-Deputado e Presidente de Províncias, Aristides Lobo, Quintino Bocaiúva, Lopes Trovão, Francisco Rangel Pestana e Salvador de Mendonça, este último Diretor do jornal A Republica, que durou até 1874. As idéias liberais atacavam profundamente o sistema colonial e, ao longo do século XVIII, estimularam movimentos revolucionários tanto na Europa como na América. Apesar de toda repressão, essas idéias chegavam à colônia trazida principalmente pelos membros do clero e da elite brasileira que estudavam na Europa. Aqui, na Colônia, manifestações de revolta contra a dominação portuguesa, muitas delas de caráter imediatistas e localizadas - como a guerra dos Mascates, e a revolta de Vila Rica, em 1720, só para citar dois exemplos - já demonstravam sinais que os ideais de liberdade germinariam facilmente no Brasil-Colônia, entretanto, "a tomada de consciência necessária à ação dos colonos em favor da emancipação dos laços coloniais dar-se-ia através de um lento processo, em que nem sempre os significados eram claramente apreendidos pelos colonos que se insurgiam contra o poder da coroa, manifestando sua repulsa as restrições à importação dos escravos, aos impedimentos postos pela coroa ao livre comércio e à circulação e aos excessos do fisco. A Inconfidência Mineira de 1789 foi a primeira manifestação de desejo de rompimento das relações de dominação e de independência do Brasil. A conjuração do Rio de Janeiro (1794) e a Conjuração Baiana (1797), apesar de diferenças entre a origem dos seus líderes, também tinham o ideal de independência da colônia. Porém não é bom esquecer que o crescimento da produção foi um processo que se submeteu e se viu apoiado, em seu início, pela estrutura política absolutista, que era útil no início, mas, à medida que os capitalistas se fortaleciam, essa mesma estrutura acabou se tornando um empecilho ao próprio desenvolvimento da produção interna, pois, se por um lado, estendia seu controle sobre toda a economia, numa rede de "poder" e "não poder" que chegava a ponto de interferir até no modelo de produtos como chapéus, por exemplo; por outro, a política absolutista também significava para a burguesia, dona do capital, o afastamento das decisões político - econômicas, que estava nas mãos da nobreza. Com relação ao comércio internacional, o monopólio do enorme mercado americano, por Portugal e Espanha, constituía-se um empecilho aos planos dos países que estavam na vanguarda da Revolução Industrial, principalmente a Inglaterra, que, para atingir este mercado de milhões de habitantes, vendia os seus produtos aos atravessadores, portugueses e espanhóis, fator de encarecimento dos produtos manufaturados e, consequentemente, o menor escoamento da produção industrial crescente. A formação do Estado Brasileiro, a consciência nacional, não podemos dizer que foi um privilegio de todos os habitantes que aqui vivia, mas sim de poucos, só ao longo da História que as grandes reivindicações começam a surgir. A guerra do Paraguai foi um fato marcante para a economia brasileira, pois antes ela estava bem postada, podemos dizer que a GUERRA DO PARAGUAI foi um marco divisor, politicamente, economicamente na vida do país tendo influência com a sua independência. E a criação da Republica Federativa , que na noite de 15 de novembro de 1889, o primeiro Governo Provisório da nova República dos Estados Unidos do Brasil.
CONCLUSÃO
O governo do Brasil independente continuaria prestigiando o Arsenal da Marinha no Rio que alcançou seu máximo desenvolvimento a partir da Guerra do Paraguai, quando construiu encouraçados, novidade recente entre os navios de guerra da época. o Brasil já era um grande construtor de navios transporte. O Paraguai com a ditadura de José Gaspar de Francia. Ele expropriou terras do clero e de seus opositores, entregando-as através de arrendamento aos camponeses, e incentivou o nacionalismo entre os setores humildes da população. Erradicou o analfabetismo do Paraguai, estabelecendo a gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário. Após a morte de Francia, ascendeu ao poder Carlos Antônio Lopez dando continuidade ao processo de fortalecimento econômico do país, iniciado por seu antecessor. Lopez estabeleceu relações com o Brasil para fazer frente às ameaças de ingerência da Argentina, então governada por Rosas, ao seu país. Ele retirou o Paraguai do isolamento enviando missões à Europa, uma delas com a participação de seu filho Francisco Solano Lopez, para a obtenção do reconhecimento internacional. Atraiu técnico estrangeiro para os projetos de modernização do país. Instalou ferrovias, construiu estaleiros, fundição de ferro, indústrias bélicas, metalúrgicas, têxteis e de calçados, inaugurou o sistema telegráfico e ampliou a Marinha. Francisco Solano Lopez assumiu o governo do Paraguai, em 1862, no auge do crescimento econômico e social. As exportações paraguaias superavam as importações em virtude de uma forte política protecionista. No entanto, havia uma enorme dependência de sua economia aos portos de Buenos Aires e Montevidéu, os quais cobravam altas taxas dos produtos paraguaios. Assim, a saída para o mar tornava-se imprescindível para a continuidade do processo de modernização do Paraguai. O Paraguai foi uma vitima de interesses econômicos da época caindo na armadilha imposta pela Tríplice Aliança. Os interesses internacionais e nacionais na sua economia, não deixaram que suas ambições de enriquecimento e bom gerenciamento fossem levado adiante. Com a sua economia quebrada os interesses econômicos dos envolvidos diretamente ou indiretamente foram alcançados que era a exportação de produtos manufaturados.
BIBLIOGRAFIA
História do Brasil Hélio Viana
História do Brasil ATR- multimídia
- por, Carlos Roberto Cerqueira
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